quinta-feira, 30 de junho de 2011

Estados de Alma

Ao som de Tchaikovsky e do seu fabuloso "Autumn" procuro inspiração para escrevinhar algo minimanente legivel nesta minha inauguração ao nivel da blogosfera... Nostalgico, triste mas estranhamente reconfortante, cada nota solta do piano, cada batida sincera das harmoniosas cordas do instrumento transporta-me muito para além do infinito, encaminha-me para o campo das sensações passadas, experiências vividas e vivências sentidas com um realismo quase perfeito. Fecho os olhos. Deixo entranhar em mim a nostalgia do passado enquanto ritmada e pausadamente a melodia atravessa a minha alma. Sinto-me grande, enorme perante a minha consciência. Não me arrependo de nada daquilo que já fiz, não me recrimino pelas decisões que tomei. Só lamento o facto da vida não me ter dado a oportunidade de ser mais feliz junto de alguém muito especial, que estará certamente no céu, ansiosamente à minha espera, com a certeza que enquanto esse dia não chegar estará certamente a velar pela minha segurança aqui na Terra. Pequenas lágrimas vertem pelo meu rosto numa dimensão inversamente proporcional às saudades que com o passar do tempo teimam em não acabar, antes pelo contrário, crescem de dia para dia, numa angústia sufocante de memórias que não se apagam. Encosto a cabeça como se de um carinho precisasse. Triste mas estranhamente confiante. A ausência tornou-me mais humano, fez de mim o homem que o meu pai sempre quiz que eu fosse. Por isso aqui estou eu, prestando-lhe mais uma homenagem das muitas que já lhe fiz, mas que serão certamente poucas em relação àquelas que ele ainda merece.
A noite vai longa, a hora adiantada. As palavras já custam a sair do teclado, nesta titânica luta entre a vontade de escrever e o cansaço... Fico-me por aqui com a certeza que cá voltarei, com outra vontade e atitude, mais confiante e realista, mais vigoroso e lutador. Mas perdoem-me, hoje fui vencido pela saudade e quando assim é não há argumento ou pensamento capaz de derrotar tamanho sentimento, tantas vezes devastador mas sempre, sempre alimentador de
esperanças e ilusões.

Um abraço do tamanho do mundo,
Miguel C.