sábado, 12 de novembro de 2011

Eterno Benfica

Pediram-me para escrever algo sobre o Benfica. Mas escrever sobre esta grandiosa instituição nacional é também falar de mim próprio, tal a sua influência na minha vida.
Desde pequeno que sou Benfiquista e vivo o meu Benfiquismo de forma activa e apaixonada. Lembro com saudade as tardes passadas com o meu pai, de rádio ligado no quarto, com tremoços e amendoins à fartazana, a ouvir as gloriosas exibições das velhas guardas do Benfica. Recordo com nostalgia as idas ao café, pela sua mão, algumas vezes debaixo de chuva, para assistir às fantasticas noites europeias pela televisão na companhia de outros grandes benfiquistas como nós. Vem-me à memória também as alegrias sentidas, as tristezas passadas, as emoções vividas, as noites mal dormidas, o nervoso miudinho antes de cada jogo, tudo, tudo em prol do Benfica. Porque o Benfica é isto. Ao contrário do que muitos dizem e pensam, não considero o Benfica um clube, uma religião, muito menos uma ideologia... o Benfica é um modo de vida, uma forma de estar, uma paixão incalculável! O Benfica passa em muito as fronteiras do razoável, são milhões de almas espalhadas pelo mundo que vibram a cada vitória e sofrem a cada derrota. O Benfica, face o pleunasmo, não é de ninguém mas é de todos nós. O Benfica não tem dono, é de todas as almas que dia após dia, semana após semana, com cada sorriso, com cada lágrima engrandecem um pouco mais o brilho de uma Instituição de si já imensamente grande, tremendamente colossal. Nem tudo foram rosas nesta construção histórica. Várias foram as quedas, no entanto, o colosso sempre se levantou, com mais vontade, mais coragem, mais força e mais vigor. Foi um gigante adormecido, que acordou, lentamente, e se agiganta a cada dia que passa. Clube de conquistas passadas, vive com grande realismo o presente e projecta solidamente o futuro. Possuídor de modernas infraestruturas, ao nivel do que de melhor existe a nivel Europeu, o Benfica deixa claro a todos que não vive somente do passado, tem assegurado um futuro que será, obrigatoriamente ganhador. Porquê? Porque quem enverga esta camisola, o manto sagrado das conquistas imortais, sabe que a garra e a vontade de ganhar são o minimo exigivel para tão ardua tarefa. Clube de sonhos e ambições, o nosso passado é o tónico, o ponto de partida para o sucesso. E a glória é sempre e sempre consequência do empenho, do trabalho e do profissionalismo. Por aqui já passaram dos melhores jogadores mundiais, que com a sua classe cravaram a ouro de fino recorte uma pequena mas sublime parte da história da nossa instituição. Todos juntos faremos o Benfica maior. Porque ao Benfica nada falta. Tem a força, a raça, o querer e a ambição. Tem a vontade de ganhar e o potencial vencedor digno dos grandes conquistadores. Tem tudo. Emana da alma uma brutal sede de vitória, brota do espírito o brilho da imortalidade... e quando assim é, nada nem ninguém susterá o gigante, o Eterno Benfica!

domingo, 23 de outubro de 2011

Inexplicavel... Intolerável...

Assisti ontem ao video onde uma menina Chinesa era brutalmente atropelada, uma e outra vez, sem que ninguém que por ali passava tivesse o decoro e a caridade de a ajudar. Foram quase 10 minutos de uma dureza impressionante, de uma frieza arrebatadora. Muito triste. Muito triste saber que se atropela alguém com aquela facilidade como se nada se tivesse passado. Muito triste saber que numa sociedade actual passa-se ao lado do sofrimento como se nada fosse connosco. Muito triste saber que o egocentrismo bacoco e mesquinho domina já o pouco que resta da interacção e entreajuda humanitária. Estão abertas as hostilidades. Agora é cada um por si. Sem ajudas, sem auxilios, sem nada...


Não foi isto que idealizei quando comecei a compreender o Mundo. Não foi esta forma de actuação que os meus pais me ensinaram quando, menino de tenra idade, lhes perguntava como agir com os outros em caso de necessidade. Não me reconheço nesta sociedade impiedosa, dura e brutal. Não quero que a minha filha cresça acompanhada por esta nova forma de estar social. Não quero nada disto. Onde pára a caridade, a ajuda, a piedade entre os Homens? Onde está o nobre sentimento da paixão humanitária? O abismo mora mesmo ao lado e caminhamos perigosamente para bem perto dele, num caminho cada vez mais obscuro e sinuoso.


Debaixo daquelas rodas crueis morreu tudo, os sonhos de uma criança feliz, as espectativas de uma vida futura, os projectos idealizados mas nunca concretizados. Morreu a esperança, o amor. Destruiu-se uma familia. Marcou-se com sangue toda uma sociedade. Debaixo daquelas rodas ficou tudo. Mas nasceu também a indignação e uma onda de solidariedade quase sem paralelo. Que a morte desta pequena heroina não tenha sido em vão. Que as consciências tenham sido tocadas e despertadas. Por ela e por todas as pequenas crianças violentadas sejamos humanos, sejamos grandes, sejamos humanistas. Deixemos o nosso umbigo de lado, deixemos o nosso egoísmo de parte. Há todo um mundo em decadência à nossa volta e urge começarmos a mudar mentalidades. Hoje é sempre. Amanhã pode ser tarde, muito tarde.
Forte abraço,
Miguel Curvão

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Filhos de uma vida menor...

Desafiado a escrever sobre um tema deveras complexo, o abandono dos filhos por parte das mães, aceitei. Mas com condições. O tema não é objectivo, muito menos rectilineo, permite-nos observações perigosamente subjectivas e corremos o risco de pôr o coração a falar mais alto que a razão, entrando nós depois pelo sinuoso caminho da injustiça pessoal.
Há mães que matam os filhos. Ponto final. Do ponto de vista da justiça é crime punível com prisão efectiva e contra isso nada a apontar. Do ponto de vista social é algo aterrador, mexe com as massas, promove a revolta popular e contra isso, nada me espanta. Mas é o ponto de vista pessoal, vindo de dentro de quem mata, que raramente é analisado e muitas vezes se revela como crucial para percebermos o porquê da tomada de tão medonha atitude. Antes que pense que desculpo, de antemão, tamanha atrocidade contra indefesos seres, desde já esclareço que não. Ofensas corporais contra quem não se pode defender, além de cobardia, revela um latente atraso ao nivel da consideração pela vida humana. Mas nestes casos nunca se fala do pai, nunca se fala da familia, nunca se fala da sociedade envolvente ao meio onde o crime é protagonizado. A mulher, quando engravida erraticamente, fica automaticamente só, perigosamente abandonada. Em todo este processo começa por ser a primeira vitima. Perde na relação paternal, esconde-se da sociedade, sempre sedenta de mais um "dito" para poder difamar. O pai, muitas vezes, em vez de sossegar e incentivar a mulher a ter e criar a criança, remete-se a uma especie de terror psicológico, ameaça o terminar da relação se a criança nascer, foge muitas vezes com o medo de tão nobre compromisso. De um momento para o outro a mulher, a primeira vitima, repito, fica sozinha e entregue à sua sorte. E é aqui que começam os esquemas complexos mentais, as divagações, as formas de tentar resolver as coisas sem magoar minimamente quem nos rodeia. Podemos mesmo dizer que são nove meses alucinantes, de dor e amargura, de sofrimento e infelicidade, que culminam com o nascimento da segunda vitima, o bebé. Vítima de nove meses de esquemas, este pequeno ser é marcado à nascença com o terrivel crivo da morte. Invariavelmente. A mulher, justamente, paga pelo seu crime. Quem nada fez para que este cenário acontecesse, embora recolhece indicios para tal, passa impune, sempre. Na hora de prestar contas à justiça o pai não é tido nem achado no processo mas quer-me parecer que a criança não foi feita sozinha. A sociedade que durante nove meses fingiu nada se passar aponta o dedo persecutório, acusa e reprova, como se não fosse nada consigo. Terrivel, ingrato e sempre com as mesmas vitimas.
Pelas crianças, pelas mulheres, por todos nós: estejamos mais atentos e sejamos mais humanos. Basta um gesto, uma palavra, um conforto para que uma vida se salve. Não custa nada. Apenas atenção.

Forte Abraço,
Miguel Curvão

domingo, 9 de outubro de 2011

Fome ou a novel forma de vida...

Embalado pelo espirito dos últimos dias, em que as saudades e nostalgias passadas ocuparam parte substâncial das minhas memórias, dei comigo a pensar naqueles que, mesmo sem dor fisica, vivem no limiar abaixo do expectável para o normal decorrer da vida. Pessoas que sofrem pela pressão de pouco ou nada terem para comer, de pouco ou nada terem para dar aos seus filhos. E se este tipo de imagens eram tipicas dos países Africanos ainda há poucos anos atrás, neste momento difundem-se e encontram-se um pouco por todo o Mundo, um pouco por toda a parte. A nova organização da Economia mundial e consequente divisão assustadora entre ricos e pobres redimensionou a denominada "classe média" numa nova escala, estando esta agora num plano diferente daquele em que se encontrava não há muito tempo. Em todo o caso, seja em Africa seja na Europa, Asia ou América, fome é fome, e a forma como a abordamos e tentamos combater deve ser igual e homogénea. Imagens de pequenas crianças de tenra idade, magrinhas e tristes, de olhares distantes e desenganados, quase que implorando por um carinho, sem a minima perspectiva de futuro deveriam já fazer parte de um passado eterno. Fotografias de mães com o desespero espalhado no rosto por nada terem para administrar aos seus filhos, não deveriam sequer existir. Miúdos tristes, moídos pela força da guerra, agarrados a um pequeno pedaço de pão como se de um belo manjar se tratasse, deveria ser cenário morto, acabado e enterrado numa sociedade global que se auto-intitula de amiga e solidária. Mas não, arrastam-se ao longo das gerações, invadem as nossas casas a um ritmo quase diário, como se de um problema sem solução se tratasse. Não fosse o homem tão ganancioso e o problema teria sido irradicado há muito mas falta vontade, falta sentido de estado a quem tem por missão governar mas teima em proteger os lucros de quem, em teoria, sustenta a economia caseira. Mete-me nojo, muito nojo, este tipo de gente, que de forma irresponsável e involuntária é assassina de gente que outra coisa não fez senão ter a "culpa" de ter nascido no país errado, à hora menos conveniente... Por acaso alguém tem a noção de quanto custa uma explosão ocasional, num qualquer teste nuclear, perdido nas profundezas de um qualquer oceano? Custa tantos milhões de euros ou dolares que seriam mais que suficientes para erradicar de vez este verdadeiro flagelo qua assola e deveria fazer corar de vergonha a dita sociedade global.
O banco alimentar contra a fome divulgou há dias que o numero de pessoas a quem prestam auxilio aumentou em mais de 30 por cento. Por outro lado, a Cáritas e as Santas Casas da Misericórdia também divulgaram numeros assustadores de gente que a eles recorrem para poderem forrar o estomago com o minimo exigivel para se manterem sãos. É a crise e as suas nefastas consequencias a começarem a espalhar as suas raízes. É a falência total do Estado Social em todo o seu explêndor. É a dura conclusão do ser Humano que, a partir de agora, terá que se desenrascar sozinho. Não há dinheiro para nada, nem sequer para a vida. Em Africa o homem sempre foi refem da ganancia de quem governa, cenário que se foi arrastando décadas após décadas... no mundo dito desenvolvido são os bancos que tomam de assalto as debéis economias familiares, arrastando as pessoas para a tal "novel forma de vida": a ditadura económico-social de quem investiu e agora vive preso a uma divida que não sabe como nem quando estará saldada. Apenas sabe que até lá as dificuldades serão a terrível companhia do dia-a-dia...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Instituto Português de Oncologia

Caros leitores, desta vez decidi variar um pouco a escrita e o tipo de apresentação do post. Há já algum tempo que idealizava escrever algo sobre esta grandiosa instituição Portuense mas faltava-me coragem. Receava o reacender de memórias perturbadoras que me marcaram para a vida há uns anos atrás. No entanto, esta semana foi reveladora que não devemos nunca renegar o passado e devemos inclusivamente enfrenta-lo para exorcisar fantasmas antigos.
Silêncio... o tema é complexo e para isso necessitei de alguma investigação e colaboração que me foi preciosamente cedida por parte de algumas pessoas que de perto acompanharam o dia-a-dia desta instituição. Os seus testemunhos são deveras emocionantes e transportam-nos para um mundo à parte que trespassa em larga medida a realidade das nossas vidas.
"Tomei chá com a morte todos os dias...", refere Marisa Silva, 30 anos, casada e mãe de duas filhas. A frase, de tão dura, torna-se cruel. Simples e directa, mostra-nos como a convivência com a morte se tornou parte do dia a dia de quem passa por este tipo de enfermidades. "Vi e senti coisas que nunca pensei ver ou sentir..." refere mais à frente, entre lágrimas perdidas, de quem viu "o chão a desaparecer", aos 30 anos de vida.
"Não há volta a dar, quando se tem uma familia tão chegada e filhos em fase de crescimento, a luta é o caminho viável, o único caminho, sem alternativas...", diz-me Bete Ribeiro, a quem um tumor nas vias nasais quase ceifam uma vida ainda em fase bastante precoce.
"Não suportava ver os meus pais a sofrer. Sabia o que tinha e tinha a perfeita noção que o meu sofrimento retornaria a dobrar para eles. Sofri sozinho e em silêncio, para que não dessem por nada...", adianta Carlos Costa, 20 anos de uma vida já cheia de precalços.
Mas o que têm estas pessoas em comum? Não se conhecem entre elas, mas já partilharam muito entre si. A incerteza da vida, o sofrimento fisico mas principalmente psicológico de vivências feridas quase fatalmente, a luta diária, onde um dia passado era uma vitória na titânica luta da vida contra a morte. Mas uma instituição funcionou como a porta da esperança, a camara dos sonhos, o ultimo depositário de um acumular de pressões e tensões. E neste campo, quando os questiono sobre a papel de quem lá trabalha e a influência que tiveram na sua recuperação são unanimes: "Excelentes!""Salvaram-me a vida!" e "Guardo-os para sempre no meu coração!", são as frases soltas que revelam em todo o seu explendor o verdadeiro trabalho humanista desenvolvido por quem tem por missão salvar vidas.
A realidade do espaço é ambigua. Basta lá entrar para se sentir no ar o cheiro inconfundivel do sofrimento. Entre as inumeras paredes emana-se de forma inconsciente estranhas formas de vida onde o desespero toma de assalto a mente dos mais cepticos e a esperança sobressai no espirito dos mais corajosos. De forma pacifica convive no mesmo espaço fisico a esperança e a dor, o desespero e a capacidade de vitória. O bem e o mal. Mas em todo o caso há sempre um sorriso, uma mão amiga, uma palavra de aconchego. Uma caricia, um querer estar sempre presente, um ombro amigo para se descarregar todas as incongruências da vida. Por parte de quem lá trabalha, e digo-o por experiência própria, nunca falta apoio, nunca falta nada. Interiorizou-se naquelas mentes santas o sentimento de entreajuda aos mais necessitados, a quem a vida já foi cruel de mais e por isso o abandono ou desprezo funcionaria como a mais terrivel das armas para tão terrivel mal.
Os três casos atrás apresentados tiveram como desfecho comum a cura. Felizmente. E são casos como aqueles que dão mais e mais força a todos os profissionais que trabalham nesta área. Sabem que vai sempre alguém perecer ás garras assassinas da morte mas basta uma pessoa se salvar para se sentirem realizados no seu trabalho e encararem os restantes casos com esperança. Sei que assim é sem precisar de falar com nenhum deles. Basta lá irem e verem o empenho e dedicação que empregam em cada caso, em cada pessoa. Nunca dão um caso como perdido e são muitas vezes os catalizadores de esperança quando a mesma já morreu, há muito, nos pacientes. O meu pai faleceu lá mas nunca coloquei em causa o profissionalismo daquela gente pois fui testemunha viva do empenho prestado e senti, inclusivamente, sinais de tristeza latente no rosto do pessoal, quando a morte chegou, como se o meu pai não fosse o unico derrotado mas também eles.
Espero ter prestado a melhor homenagem possivel a todos os anónimos, mas sempre presentes, profissionais de saúde do Instituo Português de Oncologia Francisco Gentil e se mais não disse foi porque as lágrimas de saudade já me escorrem pelo rosto e me toldam o pensamento, de dor por quem já partiu...

Abraço e bem hajam,
Miguel C.

p.s:. Um agradecimento muito especial à Dra Ana Raimundo, do serviço de Gastrenterologia do IPO e equipa de enfermagem e auxiliar. Foram inexcediveis. Um agradecimento também à Marisa, à Bete e ao Carlos pela forma como me ajudaram e engrandecer esta postagem. Vocês são uns lutadores e um exemplo para a vida.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Arde, consome mas não mata...

Hoje fui inundado por devastadoras recordações, daquelas que o tempo apaga mas a saudade teima em reacender... Estranhamente, ao fim de seis anos, estou possuido pela dor da ausência. E isso dói, muito. As palavras, os gestos, os rasgos de dor... O sorriso triste de quem sofria, o suave gemido de quem não queria dar a entender o seu sofrimento. As lagrimas vertidas, os cuidados prestados. As noites mal dormidas, temendo o pior, os pesadelos angustiantes que me perseguiam a cada fechar de olhos. A revolta de tudo assistir e nada poder fazer. O definhar, o ver as coisas a acontecer e sentir-me pequenino, minusculo, com todo o peso do Mundo sobre os ombros. O sentimento de impotência, terrivel, brutal, fatal, que nos consome e devora a cada sinal de fraqueza, de sofrimento, de quem amamos e não queremos perder. O impressionante som do silêncio nas horas poucas de descanso. O cheiro, indescritivel e unico, das salas de hospital percorridas a frequentadas. As palavras de conforto recebidas, alcançadas e conquistadas. Tudo. Tudo embranhou em mim hoje, como há seis anos atrás. Todas as vivências e sensações sentidas foram cruelmente reveladas e ressuscitadas, sem dó nem piedade... assim do nada.
Pai, foi há precisamente seis anos que te perdi. Foi há precisamente seis anos que deixei de sentir o teu ombro amigo e as tuas palavras de conforto. Foi há precisamente seis anos que interiorizei a necessidade de ter de me "desenrascar" sozinho pois deixava de poder contar contigo, para me felicitar pelos momentos bons e confortar nos maus. Mas acredita, Pai, ainda hoje continuo a agir como se cá estivesses. O teu sorriso, a tua alegria, a tua forma de estar, o teu cheiro... assim como as más recordações dificilmente partirão, e aparecerão fugazmente nos momentos de maior debilidade espiritual, estas tuas qualidades guardo religiosamente para me fortalecerem e revitalizarem nas alturas cruciais e fundamentais da minha vida. Porque nada na vida acontece por acaso. Obrigado por existires, ainda, no meu coração.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vazio...

Impulsionado pela misteriosa mas convicta voz de Damien Rice sou transportado como que por magia para os quatro cantos do Mundo. Mundo diverso, plural, culturalmente rico, espiritualmente morto. Assistimos actualmente ao maior vazio da Humanidade, vazio esse que faz com que algumas das grandes atrocidades Humanas cometidas há uns séculos atrás pareçam brincadeiras de crianças inocentes. Sim, acabou o respeito, a consideração, a humildade... O Homem tornou-se inimigo de si mesmo e combate-se sem tréguas, sem piedade...
O Mundo, tal como o conheci há uns anos atrás acabou, esfumou-se ao longo dos tempos como se de um vulto se tratasse... Em Africa morre-se de fome, enquanto se gastam fortunas em armamento, veem-se crianças sofrendo, chorando, lutando por uma vida já de si condenada à nascença, apenas porque meia dúzia de energúmenos auto-intitulados governantes não têm o minimo de respeito pelo mais fundamental dos valores humanos. No mundo Arabe mata-se em nome de Deus, Guerra Santa, dizem eles, Genucidio sem Piedade, chamo eu. Oprime-se o direito à liberdade das mulheres apenas e só porque dentro da mesma especie há quem se considere superior. Na Asia e extremo Oriente usam-se miudos de tenra idade, quase bebés, para se obter o melhor material ao melhor preço. Corta-se à nascença o direito a estas crianças à infância, pequenos seres que depressa se tornam homens, sem sonhos, sem esperanças, sem nada. Pela América e Austrália, os intitulados senhores da moral e ética, serventes da Igreja e de Deus, usam e abusam das crianças, mancham para sempre o seu direito à dignidade, marcam-nas para sempre com o terrivel machado da vergonha. Que estranha sociedade esta... Na nossa Europa, as desigualdades sociais estão a ferir de morte o sonho do Estado Unico Europeu. Temos o mesmo espaço, a mesma moeda e a mesma constituição. Mas falta mais muito mais. Faltam-nos os mesmos ideais, a mesma vontade de ser, a mesma vontade de ver que algo está mal. Anda meia dúzia a estourar o que a grande maioria suou para ganhar. E a falta de equilibrio neste campo foi, é e será impeditivo para algo maior numa Europa cada vez menor. Um pouco por todo o Mundo, a ditadura monetária está a atrofiar fatalmente a vida das pessoas. Em nome da crise usa-se, abusa-se e explora-se. Sem vergonha ou pudor. Assim, à descarada.
A sociedade, enquanto espaço de coabitação humana está vazia. De moral, de ética, de valores. Vazia de ideias. Mata-se e morre-se por nada. Luta-se e destrói-se por tudo. A economia passou a ser o mais nobre dos valores, a vida passou a plano secundário. É preciso ganhar cada vez mais, conseguir atingir os objectivos propostos, lutar pelo equilibrio das finanças globais, mesmo que para isso se viva cada vez pior, com uma corda na garganta de nó cada vez mais apertado... Acabou-se a justiça social, perdeu-se completamente a vergonha. É triste, muito triste...

Abraço,
Miguel C.

p.s:. Quem esteve atento às noticias deste sábado, certamente não deixou de reparar no video, vindo directamente do Vietnam, de algumas dezenas de crianças, que para ir para a escola atravessam a nado, diariamente, um rio com cerca de 20m. As imagens são impressionantes e mostram da forma mais fria possivel o desnorte de quem tem a missão de governar. Obrigam-se as crianças a frequantar as escolas mas não se criam as condições para tal se fazer em segurança. Gastam-se milhões tão mal gastos, em obras totalitárias e fogueiras de vaidades, quando bastava um pouco de sacrificio e boa vontade para acabar com esta atrocidade. Fiquei chocado, confesso. Aquelas crianças nada fizeram para viver num mundo assim. Vitimas do infortunio, olham aquelas margens como a barreira ambigua: afinal, do outro lado, superando a força de uma morte mais que anunciada, pode estar a fronteira do saber, da aprendizagem, do conseguir ser alguém. Mas será que isso deve ter como moeda de troca a própria vida?

sábado, 10 de setembro de 2011

Homens de coragem...

Há homens a quem o destino pregou uma partida. Há homens, que pelas vicissitudes da vida, viram os seus sonhos e ambições serem destruidos. Há homens que de um momento para o outro sentiram na pele a brutalidade inimaginavel de tudo perderem. Há homens que depois de uma vida de trabalho e luta se viram resignados à sobrevivência por meios para os quais não estavam minimanente habilitados. E no meio de tanta adversidade e desfaçatez os homens, esses homens, reagem de formas tão distintas quanto imprevisiveis. Uns entregam-se nas garras da miséria, da destruição, do mal, da infelicidade. Desistem de viver, desistem da vida. Fazem da adversidade o ponto de viragem fatal para o abismo. Choram, lamuriam-se e caem, invariavelmente. Alguns, em casos extremos, olham o suicidio como a solução maior para os seus débeis problemas. Cometem a cobardia fugaz de fugir do problema, viram as costas a quem lhes quer bem e entregam-se de corpo mas não de alma à morte. Esquecem-se que no meio de milhões e milhões de pessoas há sempre uma capaz de ajudar e apoiar, há sempre uma que compreende, há sempre, pelo menos uma que calejada pela vida, tem sempre o melhor conselho, o melhor ombro, a melhor palavra de conforto, o melhor sorriso. No entanto, há outros que conseguem enfrentar os problemas de frente e, por muito graves que eles sejam, se mostram capazes aprender com eles e se tornarem, dia-a-dia homens melhores. Também choram, mas transformam cada lágrima vertida em coragem, também se lamuriam, mas fazem de cada palavra perdida incentivo para o futuro, também caem, mas tornam-se a levantar em gestos tão heróicos quanto louváveis. Como dizia alguém um dia, "vergonha não é cair, é ter medo de se levantar...". E é nestes homens que nos temos de apoiar, nos seus exemplos que temos que seguir. Porque por cada porta que se fecha há sempre pelo menos outra capaz de se abrir para nós. Haja coragem, força, determinação e perspicácia para a poder alcançar. E para isso não é preciso ser-se inteligente ou sobredotado, basta emanar da alma o sentido da vida e do espirito a capacidade de viver. O corpo tratará do resto.

Abraço,
Miguel C.

p.s:. Dedico estas palavras a um amigo, grande amigo, que tive o prazer de rever hoje no café onde exerço um part-time. Não vou nomear, mas ele sabe quem é, e sei que vai ler estas palavras. Por isso, para ele, falo agora em discurso directo. A tua força, a tua forma de viver, a forma como te levantaste depois da queda, é exemplo de vida para quem de perto acompanhou a tua situação. De longe, pude acompanhar a reconstrução da tua felicidade, hoje confirmei isso com os meus próprios olhos. Orgulha-te de seres quem és, do exemplo que deste. O mundo deve-te um favor, alcança-o. E muito obrigado pelas palavras elogiosas que proferiste acerca do meu blog. São pessoas como tu que me dão vontade de continuar esta saga cibernautica, rumo ao desconhecido.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Férias: Surpresas, confirmações e desilusões

Acabadas que estão as minhas férias, gostaria de partilhar com vocês a minha semana passada em familia, descobrindo o que o meu Portugal tem de melhor.
Fruto da minha condição financeira, com casa e carro para pagar, além de ter uma filha pequenina para criar, sabia de antemão que teriam de ser uma férias contidas e controladas. Sem grandes excessos mas ricas, estas férias em familia provaram-me que é possivel visitar Portugal sem grandes despesas. Com o depósito atestado, partimos rumo ao incerto, cortando o país por rotas desconhecidas, guiados pelas agradáveis sensações de bem-estar que os diversos mas estranhamente belos cenários nos proporcionavam. De uma acentada e em poucos dias percorri cerca de 800 kms, de estrada, de confortante cansaço, de belas recordações. Em poucos dias, comendo em tradicionais "tascas" Portuguesas, conheci o que o meu país me pode oferecer de mais puro, mais sincero e mais genuino. Em poucos dias, dormindo em locais irreais, bebi cultura, história e tradições. Estas foram as minhas grandes férias, porque foram as primeiras com a minha filha, porque fugi dos grandes centros já demasiado gastos e rebatidos, porque não fiz da praia a questão central para umas férias bem passadas. Estas foram as minhas grandes férias, porque foram as que mais me enriqueceram, quer pelos conhecimentos adquiridos, quer pela companhia proporcionada, quer pelas conclusões tiradas.
Uma surpresa? Óbidos! Por tudo, pela história, pelo mistério que aquelas muralhas nos suscitam e que lentamente vamos desvendando ao longo das suas pequenas e estreitas ruas. Uma confirmação? Alcobaça! Confirmou tudo o que dela pensava: belas praias, belo património, bela cultura! Uma desilusão? Peniche! Desculpo pelo facto de estar e chover àquando da sua visita, por isso prometo voltar um dia para a prometida visita à Berlenga. A cidade dos sentimentos ambiguos? Aveiro! Tão mágica de noite e tão simples de dia esta cidade ganha duas vidas no espaço de 24h, fantastica! Pelo meio, Batalha, Porto de Mós, Caldas da Rainha, Marinha Grande... Tão belas, tão diferentes mas ao mesmo tempo tão iguais. Histórias que se complementam ao longo de quilometros e quilometros de estrada. E já agora, uma menção muito especial para Conimbriga, a terra milenar que atravessa de uma assentada uma História maior que a do próprio país. Verdadeiramente espectacular, na verdadeira acepção da palavra.
E no meio deste já longo escrevinhado, a grande e verdadeira emoção das minhas férias foi proporcionada pela minha filhota. Cada sorriso solto, cada expressão de alegria pelas experiências vividas, cada gargalhada largada ao sabor da brisa e do vento eram a confirmação que tudo, mas tudo, tinha valido a pena. Saber que estava a gostar e mais que isso, estava a sentir verdadeiramente o momento, era sinal mais que evidente que sair de casa foi, realmente, a opção mais correcta.

sábado, 27 de agosto de 2011

Portagens... ou mais uma forma de assalto?!

Embora seja um contestatário da forma como as portagens foram implementadas nas ex-SCUT nunca reneguei a utilização das mesmas até porque à falta de alternativas somos obrigados, numa luta desleal contra a paciência, a frequentá-las. No entanto, a utilização era desfazada, sendo feita aqui e ali, sem regularidade diária. Usava, pagava, sem grande transtorno. Até aqui tudo bem. No entanto, quis o destino nesta semana que agora finda que tivesse que passar em diversas portagens electrónicas, três dias seguidos e em pontos distintos do Norte do País. Quando me dirigi a uma pay-shop para o devido pagamento, foi-me apresentada uma factura de 9,35€, sem designação de percursos, nem horários de passagens, muito menos de locais frequentados. Nada. Apenas um valor a pagamento, sendo-me ainda alertado pelo funcionário da loja que aquele valor podia ainda não ter em consideração o último dia de viagem. Ou seja, terei que me dirigir amanhã novamente a um terminal de pagamento para saber se não estou em débito para com o Estado. Vergonha, meus amigos, não encontro outro adjectivo para rotular esta verdadeira vigarice para com o povo Português. A pressa em ir ao bolso foi tanta que se esqueceram de coordenar os tickets de pagamento, estando as pessoas a pagar sem saber muito bem o quê. Pensando bem, aconselho quem quiser viajar a levar uma maquina de calcular ou uma caneta e registar os valores a pagamento àquando das passagens nos terminais de registo. Soma tudo, acrescenta mais 95cents para despesas administrativas e fica com a certeza que tem tudo pago. Já não bastava irmos para destinos desconhecidos e termos que ficar atentos aos desvios para não nos perdermos e temos agora que calcular também os percursos para não termos que ir segunda vez, propositadamente, a uma pay-shop saber se temos tudo em dia. Agora pergunto eu: perante tamanha falta de rigor em algo tão importante, se tivesse um carro de empresa, como justificaria junto da entidade patronal o pagamento de uma portagem, se o ticket não descrimina a hora de passagem nem o percurso utilizado? Não existem palavras para tamanha desorganização, apenas a certeza que de um país já de si desorganizado não podemos almejar a grandes virtudes nesse campo tão sensivel da esfera politico-social. E por falar em 95cents de despesas administrativas, este valor serve para pagar a utilização das camaras e devido encaminhamento dos valores para cobrança. Ora, isto dá pano para mangas, muitas mangas. Se o Estado tivesse cumprido com a sua obrigação, que era portajar na hora e à saida das viaturas, o contribuinte pouparia esses 95cents. Assim, poupou-se nas despesas em colocação de cabines de pagamento, e o povinho, sempre o mesmo, apanha por tabela.
Meus amigos, isto não tem outro nome senão um ROUBO. No meu caso acima descrito, se amanhã tiver que pagar o terceiro dia de utilização serão mais 95cents que pagarei, evitaveis se fossem facturados os tres dias em simultaneo. Agora, se multiplicarmos esse valor uns milhares valentes de vezes, se a esse valor multiplicarmos umas centenas de dias e juntarmos os ganhos com o aumento do IVA e impostos extraordinários, temos uma fatia de muitos milhões de euros anuais, que mesmo assim querem fazer-nos crer não serem suficientes para abater na divida pública. Por isso, temos que estar preparados para alguma nova manobra de diversão, rebuscada e imaginativa, para nos irem novamente ao bolso, sem termos tempo sequer para perceber como as coisas realmente funcionam.
Mas o que será que nós fizemos para nos tratarem desta maneira?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Especialmente para ti...

Perdoem-me os meus leitores mas as palavras de hoje vão em discurso directo para a mulher da minha vida.
Ao cabo de três anos de casamento, celebrados hoje, é mais que justo homenagear-te. Pelo que és, pelo que representas, pela força que me incutes, pela vontade que me dás de viver, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Pelos momentos de felicidade partilhados, pelas frustações aguentadas, pelas alegrias sentidas, pelas angústias toleradas. Contigo sonho, contigo amo, contigo me perco nas ilusões de sentimentos que tornamos reais. Por ti me levanto, por ti luto, por ti faço das adversidades medalhas de mérito num mundo cada vez mais duro e cruel.
A nossa história não tem três anos nem onze, quando nos conhecemos. A nossa história começou a desenhar-se no dia em que nasci, pois acredito que o nosso futuro juntos já estaria desde essa altura já irremediavelmente traçado. E como todos os belos enredos de Amor, a nossa história guarda, de forma subtil e intemporal memórias que o tempo não pode, nem deve, apagar. Imagens de rara beleza, cravadas na tela da vida, qua mais não são senão a celebração do mais nobre e sincero dos sentimentos humanos. Amo-te, com toda a força, da forma mais pura e real que possas imaginar. Por isso não posso, nem devo, ficar calado nesta altura tão especial. Obrigado por seres quem és, por me fazeres quem sou. Pela filha linda que me deste. Pela vida que me devolveste. Obrigado por tudo. Mesmo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Descolamento de retina: A cegueira silenciosa

Servem as redes sociais e demais paginas da internet como diversão, contactos, formas de interacção com os outros. Criação de amizades e afectos. Convivências saudáveis de experiências ou formas de alimentarmos o bem estar com os outros. A internet é isto mas também muito mais. É um poderoso meio de comunicação e persuasão, que acarreta perigos, é certo, mas também pode, e deve, ser usado como forma de alerta para evitar problemas e dramas por nós vividos.
Por isso, hoje vou falar-vos da minha mãe, mulher a quem a vida, em golpes de estranha malvadez, nunca deu tréguas. De uma vida de sofrimento constante, tudo fez para que nada nos faltasse, por isso, tamanho infortunio foi para mim incompreensivel, mais uma forma de duvidarmos se realmente existe alguém superior a velar pela nossa segurança terrena. Nunca teve dinheiro em demasia, nunca cumpriu sonhos de criança, mas dizia que Deus tinha para si reservado os filhos como forma de felicidade.
A morte do meu pai foi o grande drama da sua vida, por muito que hoje se diga conformada os seus olhos transparecem ainda a tristeza infindável de quem sofre na amargura do silêncio. No entanto não é disso que hoje vos quero falar. Àquando do meu casamento, uma semana antes, na azáfama dos ultimos preparativos, minha mãe interceptou-me à entrada de casa e disse-me que desde aquela manhã que não sentia os olhos da mesma maneira. Seria quase como ter uma sombra na frente que lhe dificultava um pouco a visão. Preocupado, aconselhei-a a recorrer a um oftalmologista, porque isto da visão é uma coisa séria. Minha mãe, acto que não me deixou nenhum espanto, desvalorizou logo a situação, disse-me que seria a vista cansada, pois sofria de miopia grave há bastantes anos, disse-me ainda para não me preocupar, que se não se sentisse melhor iria ao médico. Fruto da ocasião, pudera, era o meu casamento, esqueci por dias o que ela me tinha dito. Uns dias depois da celebre data, minha mãe, muito preocupada, ligou-me a dizer que estava praticamente cega daquela vista. Foi pior que um murro a seco, no estômago, para mim. Corri a um médico amigo, que me aconselhou a procurar um grande especialista da area, com a maior urgência, pois tudo indicava ser um descolamento de retina, patologia associada a pessoas com miopia grave, que é reversivel com cirurgia se for tratada nos dias seguintes ao surgimento dos primeiros sintomas.
Como devem calcular, o tempo perdido entre os primeiros sintomas e a procura do especialista foi demasiado, ao cabo de três intervenções cirurgicas levadas a cabo pela espectacular equipa de oftalmologia do hospital de S.João, a minha mãe apenas recuperou uma ligeira sensibilidade à claridade, sensibilidade essa que já se está a desvanecer com o tempo.
Escusado será dizer que ainda hoje sinto um aperto no peito com esta situação. Sinto-me indirectamente culpado pela mesma. Afinal, se não fosse o meu casamento as coisas talvez tivessem sido diferentes. Acho que a minha mãe apenas não disse mais nada para não me estragar a festa, não pensando nas consequeências terriveis que poderiam daí advir. E é aqui que gostaria de focar o ponto crucial deste meu já longo texto: a falta de informação que muita gente tem em relação a este problema, que é grave, muito grave, cuja taxa de sucesso e retorno é inversamente proporcional ao tempo que se demora a procurar ajuda.
Por isso deixo aqui o meu apelo, e espero que contributo, para ajudar quem eventualmente um dia passe por algo semelhante: procure imediatamente um especialista. Se a intervenção ocorrer no próprio dia ou seguintes a recuperação é quase total.
Passe mensagem e vamos fazer deste poderoso meio de comunicação algo útil para a sociedade em que vivemos.

Abraço,
Miguel C.

domingo, 14 de agosto de 2011

E agora?

Vivemos dias de incertezas, meses de ansiedade... Por culpa de alguns, a corda na garganta aperta a cada dia que passa, num gesto lento mas terrivelmente angústiante. A crise não tem rostos, não tem culpados. A crise não tem origens, não tem identidade, não tem nada... E no meio de tanta crise, no meio desta guerra silenciosa mas letal o povinho, o pequenino, o que trabalha de sol a sol, o que sofre, chora, luta e age, é o que, estranhamente, se sente culpado por ela, pela crise maldita, sem rosto, sem cor, sem nada... Afinal, é ele, o povinho, o responsável pelo seu pagamento. É o povinho que vai ter que trabalhar mais e receber menos... é o povinho que vai ter que ganhar menos e descontar mais... é o povinho que, se tiver a infelicidade de adoecer, qual traição ao Estado soberano, vai ter que pagar mais na consulta, mais nos medicamentos e receber menos em sede de IRS. Pudera, ninguém lhe mandou adoecer... Se o culpado não fosse o povinho não se percebe tanta carga para cima dele, se o culpado não fosse o povinho não se justificaria ter de ser ele a levar com as contas da crise, se o culpado não fosse o povinho, o Estado, soberano e imparcial, não atiraria para cima das suas costas a responsabilidade de equilibrar novamente as suas contas.
Por isso, depois de meses e meses de investigação cheguei a uma conclusão: o povinho, trabalhador e honesto, é o culpado da crise. Não podem ser os senhores da banca, porque esses gerem o nosso dinheiro e fazem lucros monstruosos com ele... não podem ser os senhores da politica, porque perdem de ganhar salários muito bons, sacrificam a sua vida privada, para garantir o normal funcionamento do Estado. Claro que se tudo corre mal e o Estado entra em crise, a culpa não é deles, é do povinho, que foi desonesto e não descontou o que devia e eles, pela meia duzia de anos de excelente trabalho em prol da nação levam uma pequena reforma de alguns milhares de euros mais a garantia de um cargo público de relevo numa instituição qualquer de utilidade publica, mais uma prova que são competentes, logo, acima de qualquer suspeita.
Ironias à parte, e falando de coisas muito sérias, onde param mais de quatro mil milhões de euros do erario público? Quem foi o responsável pela sua delapidação? Quem foram os incompetentes que deixaram essa situação acontecer? Quem roubou o Estado ao seu serviço? O que mais me deixa perplexo nesta situação é o facto de ser o povo a ter agora que arranjar esse dinheiro estando os homens responsáveis por esta situação a gozar de uma bela reforma em casa, supostamente, por terem servido a nação. Se, na minha vida privada, for o responsável pela perda irreparavel de bens por parte de alguém, existe uma figura legal, chamada de "gestão danosa", que me pode mandar para a cadeia... estes gajos não lesam um homem nem dois, lesam toda uma nação e ainda lhes pagam por cima.
Ainda hoje, num tópico do meu amigo Jorge de Sequeira numa rede social, este perguntava se o povo estaria preparado para aguentar as novas medidas de angariação de receita por parte do Estado. Nova subida de impostos sobre bens essenciais. Claro que não, mas também ninguém se importa com isso. Afinal todos temos que comer e beber, temos que ir ao médico, temos que fazer seguros para tudo e para nada... Afinal temos que consumir. Não temos dinheiro? Não importa, o banco empresta, nem que para isso te fique com um terreno ou uma casa, com o qual vai arrecadar mais uns milhares na sua já enorme margem de lucro. Esta roda viva está a trucidar o povo, a rebentar definitivamente com as nossas energias. Já não basta trabalhar para sobreviver, é o laborar a pensar se o mesmo vai chegar para mantar aconchegado o estomago das nossas crianças... Estou preocupado, confesso, porque tenho uma menina de tenra idade para a qual trabalho já mais de 10 horas por dia e não vejo, nem por isso, a conta a crescer. E isto é terrivel, mais que o esforço fisico, é o psicologico deste emaranhado de sentimentos que nos invade no dia-a-dia.

Abraço

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Galácticos...

Era uma vez uma escola de Futebol... Mas não era uma escola qualquer. Era uma escola onde, acima de tudo, imperava a boa disposição, a alegria, o convívio e a fraternidade entre pais, atletas e simpatizantes. Era uma escola onde se aliava o trabalho ao rigor. O saber sempre mais sustentado numa formação contínua de jogadores e Homens. Uma escola onde a prioridade era sempre e primeiramente o desenvolvimento social das nossas crianças, numa sociedade cada vez mais informatizada, onde o contacto directo entre miúdos começa a ser uma utopia, onde os fecebook's e os youtubes substituem em tempo mas nunca em qualidade as verdadeiras brincadeiras das crianças.
Era uma vez um projecto aliciante... onde o sonho de dois homens se poderia tornar uma realidade. Formar, lançar no concelho uma das melhores academias de futebol do país. Fazer do trabalho e dedicação intensos a arma para tão arrojado projecto, incutir nas crianças a vontade de jogar sempre com alegria, fazer acreditar aos pais que tudo, tudo estaria encaminhado para o sucesso...
Era uma vez um grupo fantástico de crianças... que com tenra idade puderam "beber" dos ensinamentos de dois grandes mestres, que com imensa alegria e prazer passaram horas e horas praticando aquilo que mais queriam.
Era uma vez um sonho... que se esfumou, esmoreceu, desvaneceu, caiu tal e qual um castelo de cartas quase, quase, no seu topo. Certo que a escola não fechou, a formação continua, mas sem os seus grandes mestres, e como diz o anúncio, não é a mesma coisa. Sem os grandes timoneiros o barco fica à deriva mas ficará para sempre a gratidão pelos anos de trabalho desenvolvidos, pelos ensinamentos adquiridos, pela formação dada, pelos homens formados. Pela alegria incutida, pelos sacrificios suportados. Pela luta, suor, alegrias e tristezas. Pelas suaves frustrações e doces recordações. Por tudo, simplesmente...
Os contos de fadas têm sempre um final feliz, por isso quero acreditar que este conto ainda vai a meio. E, quando uns anos mais tarde, virmos estes miúdos, felizes, com vidas estáveis, a fazerem aquilo que mais gostam, aí sim, poderemos dizer que o trabalho ficou completo, e a tal felicidade dos contos de fadas alcançada.

Abraço...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Saudade...

Há dias celebrou-se o dia dos Avós. Mais um dia dos muitos que se celebram. Mas este foi especial porque os avós são, por si só, especiais. E nesse dia, mais uma vez, fui invadido, esmagado, por sentimentos ambiguos, atropelado pela saudade, pelas suaves recordações de quem muito gosto mas, infelizmente, não pode estar presente. Tive uma infância dificil, confesso. Mas no meio dessa dificuldade tive sempre gestos de carinho, amor e ternura da minha avó paterna, grande, enorme mulher, sofredora mas amiga, trabalhadora e lutadora pela felicidade dos seus. Seu sorriso, triste mas sincero, guardo no meu coração como a melhor das heranças que me poderia ter deixado. Seus conselhos, generosos e construtivos, fizeram de mim um homem melhor. Seus gestos de carinho funcionavam como catalizador de vivências passadas, suas palavras de consolo eram alimento para minha alma, que me fortalecia, engrandecia perante as adversidades. Tudo nela era belo, tudo nela era perfeito.
À minha avó Maria e a todas as grandes avós deste mundo dedico estas palavras. E aos netos peço compreensão, capacidade de ajuda e retribuição do intenso amor que recebem por parte destas belas personagens do fantastico guião que é a nossa vida...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Prioridades...

Sinceramente, há coisas que por muito que me tentem convencer e explicar sinto uma certa dificuldade em compreender. E perdoem-me a minha ignorância ou falta de pensamento moderno ou liberal mas a lei do aborto foi uma das tais coisas que nunca me entrou bem na cabeça, por toda a envolvência que este tipo de leis implica.
Há dias li uma noticia que me deixou perplexo. Durante o ano transacto houveram quatro mulheres que praticaram o aborto medicamente assistido por dez(!) ocasiões. Cada uma! Tudo dentro da legalidade, portanto, esquecendo os aspectos morais de tal atitude, por aqui não há mal por onde se lhe pegue. No entanto, convem referir que todo o processo implicativo deste tipo de intervenções é totalmente suportado pelo Estado. Basicamente e dito de forma fria, o Estado paga estes abortos, gasta milhões de euros neste tipo de intervenções, suporta uma despesa totalmente desnecessária para os seus cofres e o abuso de quem deles beneficia é, pelos vistos, reincidente. Desnecessaria porquê? Porque o mesmo Estado deixa à disposição das mulheres e de forma totalmente gratuita meios contraceptivos, que ficam bastante mais baratos que os abortos supracitados.
O que me deixa realmente chateado, para não ser indelicado, é viver num país que enquanto paga este tipo de "cirurgia", esquece-se dos milhares e milhares de idosos que descontaram durante uma vida para agora viverem de tostões. É viver num país que não se importa de atribuir subsidios às mulheres que abortam e esquece-se completamente daqueles que com a força do seu trabalho enriqueceram alguns a hoje são votados ao abandono. É viver num país onde um asmático paga 60€ por uma bomba essêncial para o seu bem estar e uma mulher, com todos os meios possiveis e imaginários para evitar uma gravidez, com toda a informação que é disponibilizada nos dias de hoje, força o Estado a este tipo de injustiças.
Não culpo apenas as mulheres. Os filhos não são feitos sozinhos. É toda uma sociedade que criou as condições para este estado de coisas. Tanto queremos ser modernos que caímos no ridiculo deste tipo de situações. E já não há quem tenha mão nisto. Infelizmente.
Pergunto-me: valeu a pena a tão propalada despenalização? O aborto clandestino não acabou, ainda há milhares de mulheres que a ele recorre quando o prazo legal expira e, por outro lado, há casais que agora aproveitam esta benesse como novo metodo contraceptivo e forma de subsistência. É o país que temos...

sábado, 23 de julho de 2011

Porquê?

Ontem um dos mais pacificos países Europeus assistiu incrédulo a uma verdadeira chacina humana. Inquietante, estridente, terrivel, morbido, irreal... Aquela bomba abalou Oslo e o Mundo, aqueles tiros, certeiros, cravaram de dor e revolta toda uma geração sedenta de respostas para tal maléfico acto. Milhares de palavras poderiam ser ditas nesta hora de luto, milhões de expressões poderiam tentar minimizar os efeitos de tão tresloucada atitude. Discursos apaziguadores poderiam ser adoptados. Mas não. O que não tem explicação não tem que ser explicado. Simplesmente. Dezenas de vidas destruidas. Centenas de familias arrasadas. Milhares de pessoas abaladas. Todo um mundo de sentimentos e sensações, turbilhões de emoções que de repente, do nada, emergiram da forma mais fria, mais dura, mais cruel... Por isso nada do que poderemos dizer trará o que as vitimas verdadeiramente querem: respostas. Assim, calo-me. Farei do silencio a melhor das melodias para tão terrivel acontecimento. Ciente que o tempo tudo apaga... Oslo, sempre contigo.

domingo, 17 de julho de 2011

Cidadãos diferentes...

Sou pai há cerca de um ano e acreditem que é a melhor das sensações pelas quais um ser humano pode passar. No entanto, todo o percurso que culminou com o nascimento da minha filha foi bastante duro e teve, inclusivamente, algumas partes bastantes penosas. Aos quatro meses de gravidez, o rastreio bioquimico para trissomia21 deu positivo. As probabilidades da Matilde nascer com este problema genético eram substancialmente mais elevadas que o normal pelo que fomos confrontados com dois cenários: Ou a execução de uma amniocentese, exame de rastreio pré-natal que despistaria com muita exactidão esta possibilidade, dando-nos a possibilidade de optar por uma interrupção da gravidez ou deixar passar o prazo legal para isso, deixar a amniocentese de lado, que, entre outros efeitos secundários pode provocar o aborto, e esperar por uma ecografia morfológica às 22 semanas de gestação que nos daria a certeza quanto ao cenário traçado, sem possibilidade de fazermos mais nada.
Acreditem que a escolha não foi dificil, as consequências dessa escolha é que nos deixava muito preocupados. Nunca, em momento algum, nos passou pela cabeça acabar com a vida da Matilde. Como seriamos capazes disso se o seu nascimento era aquilo que mais desejavamos? A possibilidade do aborto nunca se colocou. Em defesa da vida. Optamos então pela ecografia morfológica, que mais não ia fazer senão dizer-nos se a nossa Matilde nasceria, ou não com trissomia21. Foram semanas terriveis, noites mal dormidas. Uma terrível guerra psicológica travada ao nivel do pensamento, sonhos versus pesadelos numa co-habitação nada perfeita... E porquê? Para quê tantas dúvidas numa hora daquelas se a vida estava sempre e só em primeiro lugar? Porque a nossa sociedade não sabe tratar os nossos deficientes. A nossa sociedade coloca-os de parte, faz questão de lhes lembrar, hora após hora, dia após dia, que são diferentes e que é nessa diferença que têm que viver o resto das suas vidas. Porque a nossa sociedade preocupa-se mais com meia dúzia de casamentos reais ou com os escândalos de índole sexual ou politica de meia dúzia de personas famosas da nossa praça do que com o bem estar destes cidadãos que nada mais fizeram senão nascer como todas as pessoas deste mundo. Revoltava-nos o facto da nossa menina vir a ser marginalizada, olhada de canto na rua, vetada ao abandono em situações de necessidade extrema. Revoltava-nos o facto da nossa Matilde vir a chorar, sozinha, lágrimas de solidão. Revoltava-nos o facto da nossa Matilde se sentir num beco sem saída, numa sociedade injusta, gananciosa e cruel.
À Matilde, nossa vida e nossa luz, nunca faltaria da nossa parte afecto e carinho. Teria todo o amor e ternura essenciais a uma criança de tenra idade. Seriam proporcionadas da nossa parte todas as atitudes para crescer em ambiente equilibrado de harmonia a felicidade. Mas este trabalho de base, de anos e anos de esforço e dedicação, desmoronar-se-ia como um castelo de cartas quando a Matilde tivesse de enfrentar o mundo real e isso revoltava-nos.
Veio o dia da ecografia e os nervos estavam nos píncaros. Tudo correu bem. Deu negativo. Confesso o meu alívio. Egoísmo da minha parte? Nada disso. A pura da constatação de que a nossa sociedade não está preparada para o cidadão deficiente. E enquanto esse cenário não mudar confesso que me assusta a idéia de ter que assumir tamanha responsabilidade ao longo da minha vida.

Abraço do tamanho do mundo e votos de um excelente domingo,
Miguel C.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Terrorismo de fato e gravata

A recente desclassificação da economia Portuguesa por uma das empresas de rating causou perplexidade por esse Mundo fora. De facto, tratou-se de uma medida desproporcionada, injusta, vergonhosa, totalmente desprovida de sentido, muito menos de bom senso. Momentos houveram em que tal atitude seria minimamente aceitável, passámos por uma crise politica, com a queda do governo e novas eleições, o que causaria a desconfiança de investidores e credores do Estado. Mas, pese embora esses factores, a classificação Nacional lá ia oscilando sem nunca cair verdadeiramente. Agora, esta semana, depois de uma cimeira de Bruxelas onde o novo governo mereceu os mais rasgados elogios pela vontade demonstrada em virar o rumo aos acontecimentos e dois dias após a mesmo governo anunciar uma medida extra para equilibrio das contas públicas, somos brindados com esta pérola norte-americana, uma verdadeira seta que atingiu de forma certeira o coração de um país de si já moribundo. O timing para isto não é inocente e apenas vem confirmar aquilo que já de há muito se falava em off: As débeis economias Europeias (casos de Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia) estão a ser vitimas de uma verdadeira guerra do Dolar face ao Euro. Se não, como se justifica o facto de ser precisamente quando o país se começava a estabilizar para se dar uma rasteira desta natureza e fazê-lo cair novamente? Porque razão são as empresas de rating Norte-Americanas a tomar o controlo das principais praças de investimentos à escala planetária? Porque é que a Europa e o BCE assistem a esta verdadeira tentativa de assassinato económico impávidos e serenos como se não fosse nada com eles? Será que ainda não entenderam que o enfraquecimento destas praças Europeias funcionam como forma de ataque à moeda unica e consequentemente ao enfraquecimento do mercado Europeu face ao Norte-Americano? Tantas, tantas questões se levantam... O que é certo é que o nosso país, fruto de décadas e décadas de maus investimentos e gestão se encontra num buraco e, em vez de nos darem a mão, ajudarem-nos a saltar para fora dele e assim continuarmos a dura caminhada rumo à estabilidade económica e financeira, as grandes potências financeiras Mundiais, munidas de pás e picaretas, ainda nos empurram mais terra para cima até ao enterro final. E nós, feitos otários, ainda os recebemos no nosso país, numa cimeira mais que duvidosa, que supostamente seria para dar a paz ao Iraque mas que na realidade serviu para esse mesmo país, os EUA, demonstrarem mais uma vez a arrogância e o autoritarismo, tipicos de quem tem a mania que é dono e senhor do Mundo.
Já não bastava a classe politica que actualmente prolifera no nosso país e ainda temos que levar com as políticas traiçoeiras dos outros... realmente, um azar nunca vem só e assim resta resignarmo-nos à nossa sorte e esperar que dias melhores nos acompanhem.

Um abraço do tamanho do Mundo,
Miguel C.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A turma do Fausto

Sem muito para dizer, cansado de um fim-de-semana deveras desgastante, permitam-me que neste post de hoje preste uma pequena homenagem à mais fantastica turma da qual tive o prazer de fazer parte até aos dias de hoje.
Muito sinceramente, quando iniciei o meu percurso EFA e deparei com a turma fiquei algo apreensivo. Afinal, mesmo tendo apenas 30 anos, nada excessivos quando o curso é para adultos, a turma era bastante nova, de faixa etária baixa, o que me levou a pensar que seria tremendamente dificil integrar um grupo com outro tipo de mentalidade e vivências diferentes da minha geração. Nada mais errado. Bastou uma semana para me aperceber de tamanho erro de apreciação. A turma era boa, dinamica, algo rebelde mas com uma tremenda capacidade de trabalho e entreajuda. Combinava quase na perfeição experiência com juventude, os extremos etarios completavam-se de uma forma tão harmoniosa quanto pedagógica. As sessões de formação eram livres, orientadas por um determinado tema, mas que nos levava muitas vezes a trocas saudáveis de opiniões. Os membros "menos jovens" brindavam-nos com fabulosas histórias de vida e nós bebiamos daqueles conhecimentos com uma vontade quase voraz. Por muito estranho que isso possa parecer, depois de um desgastante dia de trabalho, aquelas sessões tinham o condão de nos relaxar e preparar para novo dia que aí vinha. E sempre, sempre a aprender.
Claro que nada disto seria possivel se não houvesse uma equipa de formadores de grande nivel e, também eles, com grande capacidade de trabalho e ajuda. Formadores de enorme coração que além de padagogos eram acima de tudo seres humanos, sensiveis às nossas dificuldades e problemas muitas vezes pessoais. Amigos para a vida, assim os considero, pois sei que estarão sempre lá sempre que necessário.
A minha homenagem a esta turma (e quando digo turma estou a incluir colegas, formadores e mediadora) tem um motivo especial. Quando há muitos anos deixei abruptamente de estudar, fui perdendo lentamente o gosto pela aprendizagem, pela escrita, pela leitura. Tudo na altura deixou de fazer sentido e não tive ponta por onde me agarrar, numa vida completamente à deriva. Vivi muitos anos fechado num universo só meu, substimado pela força do trabalho como forma irreversivel de continuar com a vida em frente. Deixei de confiar nas minhas capacidades e atirei para a lama a minha auto-confiança. Até à uns meses atrás. Quando este grupo fantástico conseguiu extrair de mim novamente todo um potêncial que eu pensava há muito perdido. Fez crescer novamente em mim esta capacidade de querer e dizer, passar para o papel toda uma panóplia de emoções e sentimentos, muitas vezes comandados pelo coração. Hoje sinto-me auto-confiante, plenamente convencido das minhas capacidades e altamente capaz de comandar novamente a minha vida, com todos os sonhos e ilusões que isso acarreta, com todas as alegrias e tristezas que isso possa vir a trazer. Mas se não arriscar nunca ficarei a saber se serei bem sucedido, ou não?
Muito obrigado a todos por me terem tornado um pouquinho melhor do que aquilo que eu era ontem.

Um abraço do tamanho do mundo,
Miguel C.

sábado, 2 de julho de 2011

Vida...

Boa noite, noite fresca mas acolhedora que convida à escrita e reflexão. Desta vez ao som de Beethoven e da sempre inspiradora "Moonlight Sonata", porque a música em mim tem todo o efeito catalizador de algo que se quer dizer mas que custa a transmitir, música que em toda a minha vida teve papel fulcral, fundamental, vital nas escolhas, nas alegrias, tristezas e frustrações. Acompanhou-me no alto e no baixo, esteve sempre lá, fosse para me animar quando algo corria mal, fosse para me transmitir aquela "pitada" de realismo quando avançava perigosamente rumo ao excessivo estado de confiança...

Vida... palavra tão pequena mas ao mesmo tempo tão grande, gigante, no seu sentido, na sua compreensão. O que é a vida? todo um conjunto de experiências vividas, conseguidas, falhadas ou perdidas. Um enorme tabuleiro de xadrês onde somos sempre convidados a jogar a peça ideal para o momento mais indicado. Um gigantesco puzzle onde para cada peça corresponde o seu par ideal para atingirmos a plenitude existencial. Um grande rio, que apesar dos obstáculos corre invariavelmente até ao seu objectivo, a foz... Para se ser feliz ao longo da vida não basta viver. É preciso amar, lutar, rir ou chorar. Sentir, pegar e abraçar. Fazer de cada momento uma experiência e de cada experiência um objectivo. De cada objectivo um ideal e de cada ideal uma conquista. Crescer com as vitória e amadurecer com as derrotas. Fazer de cada momento mau uma lição rumo à sensatez plena e ao vivencial perfeito. Abrir o coração ao mundo, deixar a frieza de lado. Corar quando necessário, chorar se preciso for. Emocionar-se com o sorriso sincero de uma criança, que sem nada para comer ou roupa para vestir, de ti se aproxima em busca de um simples carinho. Parece fácil? Pois... começa a viver, ainda vais a tempo...

Um abraço do tamanho do mundo,
Miguel C.

http://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck&feature=related

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Estados de Alma

Ao som de Tchaikovsky e do seu fabuloso "Autumn" procuro inspiração para escrevinhar algo minimanente legivel nesta minha inauguração ao nivel da blogosfera... Nostalgico, triste mas estranhamente reconfortante, cada nota solta do piano, cada batida sincera das harmoniosas cordas do instrumento transporta-me muito para além do infinito, encaminha-me para o campo das sensações passadas, experiências vividas e vivências sentidas com um realismo quase perfeito. Fecho os olhos. Deixo entranhar em mim a nostalgia do passado enquanto ritmada e pausadamente a melodia atravessa a minha alma. Sinto-me grande, enorme perante a minha consciência. Não me arrependo de nada daquilo que já fiz, não me recrimino pelas decisões que tomei. Só lamento o facto da vida não me ter dado a oportunidade de ser mais feliz junto de alguém muito especial, que estará certamente no céu, ansiosamente à minha espera, com a certeza que enquanto esse dia não chegar estará certamente a velar pela minha segurança aqui na Terra. Pequenas lágrimas vertem pelo meu rosto numa dimensão inversamente proporcional às saudades que com o passar do tempo teimam em não acabar, antes pelo contrário, crescem de dia para dia, numa angústia sufocante de memórias que não se apagam. Encosto a cabeça como se de um carinho precisasse. Triste mas estranhamente confiante. A ausência tornou-me mais humano, fez de mim o homem que o meu pai sempre quiz que eu fosse. Por isso aqui estou eu, prestando-lhe mais uma homenagem das muitas que já lhe fiz, mas que serão certamente poucas em relação àquelas que ele ainda merece.
A noite vai longa, a hora adiantada. As palavras já custam a sair do teclado, nesta titânica luta entre a vontade de escrever e o cansaço... Fico-me por aqui com a certeza que cá voltarei, com outra vontade e atitude, mais confiante e realista, mais vigoroso e lutador. Mas perdoem-me, hoje fui vencido pela saudade e quando assim é não há argumento ou pensamento capaz de derrotar tamanho sentimento, tantas vezes devastador mas sempre, sempre alimentador de
esperanças e ilusões.

Um abraço do tamanho do mundo,
Miguel C.