Impulsionado pela misteriosa mas convicta voz de Damien Rice sou transportado como que por magia para os quatro cantos do Mundo. Mundo diverso, plural, culturalmente rico, espiritualmente morto. Assistimos actualmente ao maior vazio da Humanidade, vazio esse que faz com que algumas das grandes atrocidades Humanas cometidas há uns séculos atrás pareçam brincadeiras de crianças inocentes. Sim, acabou o respeito, a consideração, a humildade... O Homem tornou-se inimigo de si mesmo e combate-se sem tréguas, sem piedade...
O Mundo, tal como o conheci há uns anos atrás acabou, esfumou-se ao longo dos tempos como se de um vulto se tratasse... Em Africa morre-se de fome, enquanto se gastam fortunas em armamento, veem-se crianças sofrendo, chorando, lutando por uma vida já de si condenada à nascença, apenas porque meia dúzia de energúmenos auto-intitulados governantes não têm o minimo de respeito pelo mais fundamental dos valores humanos. No mundo Arabe mata-se em nome de Deus, Guerra Santa, dizem eles, Genucidio sem Piedade, chamo eu. Oprime-se o direito à liberdade das mulheres apenas e só porque dentro da mesma especie há quem se considere superior. Na Asia e extremo Oriente usam-se miudos de tenra idade, quase bebés, para se obter o melhor material ao melhor preço. Corta-se à nascença o direito a estas crianças à infância, pequenos seres que depressa se tornam homens, sem sonhos, sem esperanças, sem nada. Pela América e Austrália, os intitulados senhores da moral e ética, serventes da Igreja e de Deus, usam e abusam das crianças, mancham para sempre o seu direito à dignidade, marcam-nas para sempre com o terrivel machado da vergonha. Que estranha sociedade esta... Na nossa Europa, as desigualdades sociais estão a ferir de morte o sonho do Estado Unico Europeu. Temos o mesmo espaço, a mesma moeda e a mesma constituição. Mas falta mais muito mais. Faltam-nos os mesmos ideais, a mesma vontade de ser, a mesma vontade de ver que algo está mal. Anda meia dúzia a estourar o que a grande maioria suou para ganhar. E a falta de equilibrio neste campo foi, é e será impeditivo para algo maior numa Europa cada vez menor. Um pouco por todo o Mundo, a ditadura monetária está a atrofiar fatalmente a vida das pessoas. Em nome da crise usa-se, abusa-se e explora-se. Sem vergonha ou pudor. Assim, à descarada.
A sociedade, enquanto espaço de coabitação humana está vazia. De moral, de ética, de valores. Vazia de ideias. Mata-se e morre-se por nada. Luta-se e destrói-se por tudo. A economia passou a ser o mais nobre dos valores, a vida passou a plano secundário. É preciso ganhar cada vez mais, conseguir atingir os objectivos propostos, lutar pelo equilibrio das finanças globais, mesmo que para isso se viva cada vez pior, com uma corda na garganta de nó cada vez mais apertado... Acabou-se a justiça social, perdeu-se completamente a vergonha. É triste, muito triste...
Abraço,
Miguel C.
p.s:. Quem esteve atento às noticias deste sábado, certamente não deixou de reparar no video, vindo directamente do Vietnam, de algumas dezenas de crianças, que para ir para a escola atravessam a nado, diariamente, um rio com cerca de 20m. As imagens são impressionantes e mostram da forma mais fria possivel o desnorte de quem tem a missão de governar. Obrigam-se as crianças a frequantar as escolas mas não se criam as condições para tal se fazer em segurança. Gastam-se milhões tão mal gastos, em obras totalitárias e fogueiras de vaidades, quando bastava um pouco de sacrificio e boa vontade para acabar com esta atrocidade. Fiquei chocado, confesso. Aquelas crianças nada fizeram para viver num mundo assim. Vitimas do infortunio, olham aquelas margens como a barreira ambigua: afinal, do outro lado, superando a força de uma morte mais que anunciada, pode estar a fronteira do saber, da aprendizagem, do conseguir ser alguém. Mas será que isso deve ter como moeda de troca a própria vida?
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