segunda-feira, 4 de julho de 2011

A turma do Fausto

Sem muito para dizer, cansado de um fim-de-semana deveras desgastante, permitam-me que neste post de hoje preste uma pequena homenagem à mais fantastica turma da qual tive o prazer de fazer parte até aos dias de hoje.
Muito sinceramente, quando iniciei o meu percurso EFA e deparei com a turma fiquei algo apreensivo. Afinal, mesmo tendo apenas 30 anos, nada excessivos quando o curso é para adultos, a turma era bastante nova, de faixa etária baixa, o que me levou a pensar que seria tremendamente dificil integrar um grupo com outro tipo de mentalidade e vivências diferentes da minha geração. Nada mais errado. Bastou uma semana para me aperceber de tamanho erro de apreciação. A turma era boa, dinamica, algo rebelde mas com uma tremenda capacidade de trabalho e entreajuda. Combinava quase na perfeição experiência com juventude, os extremos etarios completavam-se de uma forma tão harmoniosa quanto pedagógica. As sessões de formação eram livres, orientadas por um determinado tema, mas que nos levava muitas vezes a trocas saudáveis de opiniões. Os membros "menos jovens" brindavam-nos com fabulosas histórias de vida e nós bebiamos daqueles conhecimentos com uma vontade quase voraz. Por muito estranho que isso possa parecer, depois de um desgastante dia de trabalho, aquelas sessões tinham o condão de nos relaxar e preparar para novo dia que aí vinha. E sempre, sempre a aprender.
Claro que nada disto seria possivel se não houvesse uma equipa de formadores de grande nivel e, também eles, com grande capacidade de trabalho e ajuda. Formadores de enorme coração que além de padagogos eram acima de tudo seres humanos, sensiveis às nossas dificuldades e problemas muitas vezes pessoais. Amigos para a vida, assim os considero, pois sei que estarão sempre lá sempre que necessário.
A minha homenagem a esta turma (e quando digo turma estou a incluir colegas, formadores e mediadora) tem um motivo especial. Quando há muitos anos deixei abruptamente de estudar, fui perdendo lentamente o gosto pela aprendizagem, pela escrita, pela leitura. Tudo na altura deixou de fazer sentido e não tive ponta por onde me agarrar, numa vida completamente à deriva. Vivi muitos anos fechado num universo só meu, substimado pela força do trabalho como forma irreversivel de continuar com a vida em frente. Deixei de confiar nas minhas capacidades e atirei para a lama a minha auto-confiança. Até à uns meses atrás. Quando este grupo fantástico conseguiu extrair de mim novamente todo um potêncial que eu pensava há muito perdido. Fez crescer novamente em mim esta capacidade de querer e dizer, passar para o papel toda uma panóplia de emoções e sentimentos, muitas vezes comandados pelo coração. Hoje sinto-me auto-confiante, plenamente convencido das minhas capacidades e altamente capaz de comandar novamente a minha vida, com todos os sonhos e ilusões que isso acarreta, com todas as alegrias e tristezas que isso possa vir a trazer. Mas se não arriscar nunca ficarei a saber se serei bem sucedido, ou não?
Muito obrigado a todos por me terem tornado um pouquinho melhor do que aquilo que eu era ontem.

Um abraço do tamanho do mundo,
Miguel C.

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