terça-feira, 27 de setembro de 2011

Arde, consome mas não mata...

Hoje fui inundado por devastadoras recordações, daquelas que o tempo apaga mas a saudade teima em reacender... Estranhamente, ao fim de seis anos, estou possuido pela dor da ausência. E isso dói, muito. As palavras, os gestos, os rasgos de dor... O sorriso triste de quem sofria, o suave gemido de quem não queria dar a entender o seu sofrimento. As lagrimas vertidas, os cuidados prestados. As noites mal dormidas, temendo o pior, os pesadelos angustiantes que me perseguiam a cada fechar de olhos. A revolta de tudo assistir e nada poder fazer. O definhar, o ver as coisas a acontecer e sentir-me pequenino, minusculo, com todo o peso do Mundo sobre os ombros. O sentimento de impotência, terrivel, brutal, fatal, que nos consome e devora a cada sinal de fraqueza, de sofrimento, de quem amamos e não queremos perder. O impressionante som do silêncio nas horas poucas de descanso. O cheiro, indescritivel e unico, das salas de hospital percorridas a frequentadas. As palavras de conforto recebidas, alcançadas e conquistadas. Tudo. Tudo embranhou em mim hoje, como há seis anos atrás. Todas as vivências e sensações sentidas foram cruelmente reveladas e ressuscitadas, sem dó nem piedade... assim do nada.
Pai, foi há precisamente seis anos que te perdi. Foi há precisamente seis anos que deixei de sentir o teu ombro amigo e as tuas palavras de conforto. Foi há precisamente seis anos que interiorizei a necessidade de ter de me "desenrascar" sozinho pois deixava de poder contar contigo, para me felicitar pelos momentos bons e confortar nos maus. Mas acredita, Pai, ainda hoje continuo a agir como se cá estivesses. O teu sorriso, a tua alegria, a tua forma de estar, o teu cheiro... assim como as más recordações dificilmente partirão, e aparecerão fugazmente nos momentos de maior debilidade espiritual, estas tuas qualidades guardo religiosamente para me fortalecerem e revitalizarem nas alturas cruciais e fundamentais da minha vida. Porque nada na vida acontece por acaso. Obrigado por existires, ainda, no meu coração.

Um comentário:

  1. São recordações que jamais o homem esquece , Força amigo , lembra-te que esteja ele onde estiver está muito orgulhoso de ti ...abraço ...

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