domingo, 9 de outubro de 2011

Fome ou a novel forma de vida...

Embalado pelo espirito dos últimos dias, em que as saudades e nostalgias passadas ocuparam parte substâncial das minhas memórias, dei comigo a pensar naqueles que, mesmo sem dor fisica, vivem no limiar abaixo do expectável para o normal decorrer da vida. Pessoas que sofrem pela pressão de pouco ou nada terem para comer, de pouco ou nada terem para dar aos seus filhos. E se este tipo de imagens eram tipicas dos países Africanos ainda há poucos anos atrás, neste momento difundem-se e encontram-se um pouco por todo o Mundo, um pouco por toda a parte. A nova organização da Economia mundial e consequente divisão assustadora entre ricos e pobres redimensionou a denominada "classe média" numa nova escala, estando esta agora num plano diferente daquele em que se encontrava não há muito tempo. Em todo o caso, seja em Africa seja na Europa, Asia ou América, fome é fome, e a forma como a abordamos e tentamos combater deve ser igual e homogénea. Imagens de pequenas crianças de tenra idade, magrinhas e tristes, de olhares distantes e desenganados, quase que implorando por um carinho, sem a minima perspectiva de futuro deveriam já fazer parte de um passado eterno. Fotografias de mães com o desespero espalhado no rosto por nada terem para administrar aos seus filhos, não deveriam sequer existir. Miúdos tristes, moídos pela força da guerra, agarrados a um pequeno pedaço de pão como se de um belo manjar se tratasse, deveria ser cenário morto, acabado e enterrado numa sociedade global que se auto-intitula de amiga e solidária. Mas não, arrastam-se ao longo das gerações, invadem as nossas casas a um ritmo quase diário, como se de um problema sem solução se tratasse. Não fosse o homem tão ganancioso e o problema teria sido irradicado há muito mas falta vontade, falta sentido de estado a quem tem por missão governar mas teima em proteger os lucros de quem, em teoria, sustenta a economia caseira. Mete-me nojo, muito nojo, este tipo de gente, que de forma irresponsável e involuntária é assassina de gente que outra coisa não fez senão ter a "culpa" de ter nascido no país errado, à hora menos conveniente... Por acaso alguém tem a noção de quanto custa uma explosão ocasional, num qualquer teste nuclear, perdido nas profundezas de um qualquer oceano? Custa tantos milhões de euros ou dolares que seriam mais que suficientes para erradicar de vez este verdadeiro flagelo qua assola e deveria fazer corar de vergonha a dita sociedade global.
O banco alimentar contra a fome divulgou há dias que o numero de pessoas a quem prestam auxilio aumentou em mais de 30 por cento. Por outro lado, a Cáritas e as Santas Casas da Misericórdia também divulgaram numeros assustadores de gente que a eles recorrem para poderem forrar o estomago com o minimo exigivel para se manterem sãos. É a crise e as suas nefastas consequencias a começarem a espalhar as suas raízes. É a falência total do Estado Social em todo o seu explêndor. É a dura conclusão do ser Humano que, a partir de agora, terá que se desenrascar sozinho. Não há dinheiro para nada, nem sequer para a vida. Em Africa o homem sempre foi refem da ganancia de quem governa, cenário que se foi arrastando décadas após décadas... no mundo dito desenvolvido são os bancos que tomam de assalto as debéis economias familiares, arrastando as pessoas para a tal "novel forma de vida": a ditadura económico-social de quem investiu e agora vive preso a uma divida que não sabe como nem quando estará saldada. Apenas sabe que até lá as dificuldades serão a terrível companhia do dia-a-dia...

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