Assisti ontem ao video onde uma menina Chinesa era brutalmente atropelada, uma e outra vez, sem que ninguém que por ali passava tivesse o decoro e a caridade de a ajudar. Foram quase 10 minutos de uma dureza impressionante, de uma frieza arrebatadora. Muito triste. Muito triste saber que se atropela alguém com aquela facilidade como se nada se tivesse passado. Muito triste saber que numa sociedade actual passa-se ao lado do sofrimento como se nada fosse connosco. Muito triste saber que o egocentrismo bacoco e mesquinho domina já o pouco que resta da interacção e entreajuda humanitária. Estão abertas as hostilidades. Agora é cada um por si. Sem ajudas, sem auxilios, sem nada...
Não foi isto que idealizei quando comecei a compreender o Mundo. Não foi esta forma de actuação que os meus pais me ensinaram quando, menino de tenra idade, lhes perguntava como agir com os outros em caso de necessidade. Não me reconheço nesta sociedade impiedosa, dura e brutal. Não quero que a minha filha cresça acompanhada por esta nova forma de estar social. Não quero nada disto. Onde pára a caridade, a ajuda, a piedade entre os Homens? Onde está o nobre sentimento da paixão humanitária? O abismo mora mesmo ao lado e caminhamos perigosamente para bem perto dele, num caminho cada vez mais obscuro e sinuoso.
Debaixo daquelas rodas crueis morreu tudo, os sonhos de uma criança feliz, as espectativas de uma vida futura, os projectos idealizados mas nunca concretizados. Morreu a esperança, o amor. Destruiu-se uma familia. Marcou-se com sangue toda uma sociedade. Debaixo daquelas rodas ficou tudo. Mas nasceu também a indignação e uma onda de solidariedade quase sem paralelo. Que a morte desta pequena heroina não tenha sido em vão. Que as consciências tenham sido tocadas e despertadas. Por ela e por todas as pequenas crianças violentadas sejamos humanos, sejamos grandes, sejamos humanistas. Deixemos o nosso umbigo de lado, deixemos o nosso egoísmo de parte. Há todo um mundo em decadência à nossa volta e urge começarmos a mudar mentalidades. Hoje é sempre. Amanhã pode ser tarde, muito tarde.
Forte abraço,
Miguel Curvão
Quantos serão ainda aqueles com sentimentos nobres, com carácter, com dignidade.
ResponderExcluirRecusar socorro é desumano, a quem quer que seja, mas a uma criança, sem maldade, de olhar terno...que caminhou na sua inocência para a morte. Quantos são os casos pelo mundo, quantos são mais monstruosos...quantos...
Ao ver aquelas imagens, senti como se...uma mão gigante apertasse o meu coração...e chorei.
Pensei "na menina dos meus olhos" aquela que consenti que viesse para este mundo, recheado de actos desumanos, ambição e crueldade.
As palavras torna-se insuficientes...
Magda Felgueiras