Servem as redes sociais e demais paginas da internet como diversão, contactos, formas de interacção com os outros. Criação de amizades e afectos. Convivências saudáveis de experiências ou formas de alimentarmos o bem estar com os outros. A internet é isto mas também muito mais. É um poderoso meio de comunicação e persuasão, que acarreta perigos, é certo, mas também pode, e deve, ser usado como forma de alerta para evitar problemas e dramas por nós vividos.
Por isso, hoje vou falar-vos da minha mãe, mulher a quem a vida, em golpes de estranha malvadez, nunca deu tréguas. De uma vida de sofrimento constante, tudo fez para que nada nos faltasse, por isso, tamanho infortunio foi para mim incompreensivel, mais uma forma de duvidarmos se realmente existe alguém superior a velar pela nossa segurança terrena. Nunca teve dinheiro em demasia, nunca cumpriu sonhos de criança, mas dizia que Deus tinha para si reservado os filhos como forma de felicidade.
A morte do meu pai foi o grande drama da sua vida, por muito que hoje se diga conformada os seus olhos transparecem ainda a tristeza infindável de quem sofre na amargura do silêncio. No entanto não é disso que hoje vos quero falar. Àquando do meu casamento, uma semana antes, na azáfama dos ultimos preparativos, minha mãe interceptou-me à entrada de casa e disse-me que desde aquela manhã que não sentia os olhos da mesma maneira. Seria quase como ter uma sombra na frente que lhe dificultava um pouco a visão. Preocupado, aconselhei-a a recorrer a um oftalmologista, porque isto da visão é uma coisa séria. Minha mãe, acto que não me deixou nenhum espanto, desvalorizou logo a situação, disse-me que seria a vista cansada, pois sofria de miopia grave há bastantes anos, disse-me ainda para não me preocupar, que se não se sentisse melhor iria ao médico. Fruto da ocasião, pudera, era o meu casamento, esqueci por dias o que ela me tinha dito. Uns dias depois da celebre data, minha mãe, muito preocupada, ligou-me a dizer que estava praticamente cega daquela vista. Foi pior que um murro a seco, no estômago, para mim. Corri a um médico amigo, que me aconselhou a procurar um grande especialista da area, com a maior urgência, pois tudo indicava ser um descolamento de retina, patologia associada a pessoas com miopia grave, que é reversivel com cirurgia se for tratada nos dias seguintes ao surgimento dos primeiros sintomas.
Como devem calcular, o tempo perdido entre os primeiros sintomas e a procura do especialista foi demasiado, ao cabo de três intervenções cirurgicas levadas a cabo pela espectacular equipa de oftalmologia do hospital de S.João, a minha mãe apenas recuperou uma ligeira sensibilidade à claridade, sensibilidade essa que já se está a desvanecer com o tempo.
Escusado será dizer que ainda hoje sinto um aperto no peito com esta situação. Sinto-me indirectamente culpado pela mesma. Afinal, se não fosse o meu casamento as coisas talvez tivessem sido diferentes. Acho que a minha mãe apenas não disse mais nada para não me estragar a festa, não pensando nas consequeências terriveis que poderiam daí advir. E é aqui que gostaria de focar o ponto crucial deste meu já longo texto: a falta de informação que muita gente tem em relação a este problema, que é grave, muito grave, cuja taxa de sucesso e retorno é inversamente proporcional ao tempo que se demora a procurar ajuda.
Por isso deixo aqui o meu apelo, e espero que contributo, para ajudar quem eventualmente um dia passe por algo semelhante: procure imediatamente um especialista. Se a intervenção ocorrer no próprio dia ou seguintes a recuperação é quase total.
Passe mensagem e vamos fazer deste poderoso meio de comunicação algo útil para a sociedade em que vivemos.
Abraço,
Miguel C.
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