Embora seja um contestatário da forma como as portagens foram implementadas nas ex-SCUT nunca reneguei a utilização das mesmas até porque à falta de alternativas somos obrigados, numa luta desleal contra a paciência, a frequentá-las. No entanto, a utilização era desfazada, sendo feita aqui e ali, sem regularidade diária. Usava, pagava, sem grande transtorno. Até aqui tudo bem. No entanto, quis o destino nesta semana que agora finda que tivesse que passar em diversas portagens electrónicas, três dias seguidos e em pontos distintos do Norte do País. Quando me dirigi a uma pay-shop para o devido pagamento, foi-me apresentada uma factura de 9,35€, sem designação de percursos, nem horários de passagens, muito menos de locais frequentados. Nada. Apenas um valor a pagamento, sendo-me ainda alertado pelo funcionário da loja que aquele valor podia ainda não ter em consideração o último dia de viagem. Ou seja, terei que me dirigir amanhã novamente a um terminal de pagamento para saber se não estou em débito para com o Estado. Vergonha, meus amigos, não encontro outro adjectivo para rotular esta verdadeira vigarice para com o povo Português. A pressa em ir ao bolso foi tanta que se esqueceram de coordenar os tickets de pagamento, estando as pessoas a pagar sem saber muito bem o quê. Pensando bem, aconselho quem quiser viajar a levar uma maquina de calcular ou uma caneta e registar os valores a pagamento àquando das passagens nos terminais de registo. Soma tudo, acrescenta mais 95cents para despesas administrativas e fica com a certeza que tem tudo pago. Já não bastava irmos para destinos desconhecidos e termos que ficar atentos aos desvios para não nos perdermos e temos agora que calcular também os percursos para não termos que ir segunda vez, propositadamente, a uma pay-shop saber se temos tudo em dia. Agora pergunto eu: perante tamanha falta de rigor em algo tão importante, se tivesse um carro de empresa, como justificaria junto da entidade patronal o pagamento de uma portagem, se o ticket não descrimina a hora de passagem nem o percurso utilizado? Não existem palavras para tamanha desorganização, apenas a certeza que de um país já de si desorganizado não podemos almejar a grandes virtudes nesse campo tão sensivel da esfera politico-social. E por falar em 95cents de despesas administrativas, este valor serve para pagar a utilização das camaras e devido encaminhamento dos valores para cobrança. Ora, isto dá pano para mangas, muitas mangas. Se o Estado tivesse cumprido com a sua obrigação, que era portajar na hora e à saida das viaturas, o contribuinte pouparia esses 95cents. Assim, poupou-se nas despesas em colocação de cabines de pagamento, e o povinho, sempre o mesmo, apanha por tabela.
Meus amigos, isto não tem outro nome senão um ROUBO. No meu caso acima descrito, se amanhã tiver que pagar o terceiro dia de utilização serão mais 95cents que pagarei, evitaveis se fossem facturados os tres dias em simultaneo. Agora, se multiplicarmos esse valor uns milhares valentes de vezes, se a esse valor multiplicarmos umas centenas de dias e juntarmos os ganhos com o aumento do IVA e impostos extraordinários, temos uma fatia de muitos milhões de euros anuais, que mesmo assim querem fazer-nos crer não serem suficientes para abater na divida pública. Por isso, temos que estar preparados para alguma nova manobra de diversão, rebuscada e imaginativa, para nos irem novamente ao bolso, sem termos tempo sequer para perceber como as coisas realmente funcionam.
Mas o que será que nós fizemos para nos tratarem desta maneira?
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