Sinceramente, há coisas que por muito que me tentem convencer e explicar sinto uma certa dificuldade em compreender. E perdoem-me a minha ignorância ou falta de pensamento moderno ou liberal mas a lei do aborto foi uma das tais coisas que nunca me entrou bem na cabeça, por toda a envolvência que este tipo de leis implica.
Há dias li uma noticia que me deixou perplexo. Durante o ano transacto houveram quatro mulheres que praticaram o aborto medicamente assistido por dez(!) ocasiões. Cada uma! Tudo dentro da legalidade, portanto, esquecendo os aspectos morais de tal atitude, por aqui não há mal por onde se lhe pegue. No entanto, convem referir que todo o processo implicativo deste tipo de intervenções é totalmente suportado pelo Estado. Basicamente e dito de forma fria, o Estado paga estes abortos, gasta milhões de euros neste tipo de intervenções, suporta uma despesa totalmente desnecessária para os seus cofres e o abuso de quem deles beneficia é, pelos vistos, reincidente. Desnecessaria porquê? Porque o mesmo Estado deixa à disposição das mulheres e de forma totalmente gratuita meios contraceptivos, que ficam bastante mais baratos que os abortos supracitados.
O que me deixa realmente chateado, para não ser indelicado, é viver num país que enquanto paga este tipo de "cirurgia", esquece-se dos milhares e milhares de idosos que descontaram durante uma vida para agora viverem de tostões. É viver num país que não se importa de atribuir subsidios às mulheres que abortam e esquece-se completamente daqueles que com a força do seu trabalho enriqueceram alguns a hoje são votados ao abandono. É viver num país onde um asmático paga 60€ por uma bomba essêncial para o seu bem estar e uma mulher, com todos os meios possiveis e imaginários para evitar uma gravidez, com toda a informação que é disponibilizada nos dias de hoje, força o Estado a este tipo de injustiças.
Não culpo apenas as mulheres. Os filhos não são feitos sozinhos. É toda uma sociedade que criou as condições para este estado de coisas. Tanto queremos ser modernos que caímos no ridiculo deste tipo de situações. E já não há quem tenha mão nisto. Infelizmente.
Pergunto-me: valeu a pena a tão propalada despenalização? O aborto clandestino não acabou, ainda há milhares de mulheres que a ele recorre quando o prazo legal expira e, por outro lado, há casais que agora aproveitam esta benesse como novo metodo contraceptivo e forma de subsistência. É o país que temos...
Infelizmente tenho que concordar!
ResponderExcluirExistem imensas famílias necessitadas neste pais devido à falta de emprego e outros motivos afins, o estado não faz nada para ajudar a colmatar essas situações e está a disponibilizar milhares de euros para abortos!!!!!!!!
Maria Pereira